Arte
Desde que surge em São Paulo em 1997, o BijaRi tem como objeto de interesse as narrativas, discursos, poéticas e conflitos que moldam e dão vida à paisagem urbana. A reflexão crítica sobre a produção simbólica dos espaços nas cidades faz com que seus trabalhos emerjam na fronteira entre arte, política e vida cotidiana com o objetivo de deixar à mostra suas fissuras sociais.
Transitando entre distintas linguagens, desde as mais simples e marginais como lambe-lambe, grafite e bandeiras até aquelas que usam suporte tecnológico como VJ, projeção mapeada, programação e interatividade; o BijaRi vem criando ações táticas em espaços públicos e autônomas em relação aos circuitos estabelecidos da arte para ensejar novos espaço políticos e poéticos.
Em São Paulo ou outro lugar em que é convidado a trabalhar, o desafio é criar formas que contaminem a prática artística com as urgências da realidade e vice-versa: o simples ato de soltar uma galinha num Shopping Center ou num mercado popular se torna um detonador de reações insuspeitas que revelam padrões de comportamento e distorções culturais.
O geógrafo brasileiro Milton Santos define espaço como uma configuração dinâmica de aspectos fixos e fluídos:
“Estamos conscientes que as dinâmicas que habitam e incessavelmente reconfiguram o espaço urbano, contêm várias formas de poder.
Liso ou rugoso, os espaços se transformam em arenas de combate, algumas delas silenciosas, outras nem tanto.”
Nesse contexto – a cidade como um campo de tensões mutantes – é onde se instala o trabalho do BijaRi na busca de trafegar (e traficar) entre esferas opostas como público e o privado, o centro e a periferia, o oficial e o ilegal
Em projetos mais recentes o BijaRi também tem pesquisado os processos de gentrificação e suas implicações na definição dos contornos físicos e sociais do tecido urbano. Não raro engajam-se com movimentos sociais e minorias excluídas em paralelo à investigação e questionamento dos discursos hegemônicos ao levar a pretensa normalidade dessas situações à contradição para que a verdadeira estranheza do cotidiano – matizada de injustiças, hipocrisias e interesses vorazes – aflore.



